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Atum com maionese, para pessoas ricamente simples


Na Tertúlia dos Sabores, fomos encorajados a  fazer uma receita com um leque bastante mais limitado de ingredientes do que aqueles  a que estamos habituados. Dizia a Moira  que pretendia festejar o seu 4º aniversário oferecendo receitas a uma amiga que abraçou um desafio nas  terras longínquas de Timor.

A história que ilustrava o desafio fez com que o meu pensamento voasse até à Ana, uma amiga que, ainda de grinalda, voou com o seu marido para terras de África abraçando um projecto multidisciplinar.
Sempre conheci a Ana com grande espírito de missão e foi reconfortante saber que ao seu lado tinha agora alguém que olhava na mesma direcção.
Ao longo dos anos fomos recendo notícias da Ana e do Pedro e foi bom vibrar com ela quando finalmente tomou um banho de chuveiro, mesmo que esse fosse o de um simples balde pendurado no tecto. Mais gratificante ainda foi ter a possibilidade de sentir a alegria do povo local quando finalmente pôde ver, após uma intervenção cirúrgica às cataratas, feita numa “sala de operações” muitíssimo improvisada.
Poderia continuar a contar as muitas histórias, que este engenheiro e esta educadora  de infância fizeram chegar até nós. Ilustro apenas mais uma, a da importância de um poço, numa terra sem água.
A missão da Ana e do Pedro, agora com a pequena Tabita e mais um bebé que está a chegar, chegou ao fim, naquele local de África. Mas, estou certa que logo, logo, eles irão estar num outro local, aqui ou em qualquer outra parte do mundo, respondendo ao Seu apelo e, com a mesma simplicidade enriquecedora, irão voltar a ensinar a pescar.
Não sei se a Ana alguma vez fez a receita que escolhi para a Moira oferecer à sua amiga. No entanto, ela chegou-me, talvez em 2007 ou 2008, pelas mãos da Alexandra, uma colega minha que tem um brilhozinho nos olhos sempre que fala nas suas origens moçambicanas, e esta receita tem feito o maior sucesso J

Atum com maionese (mousse de atum)


Ingredientes:
·         2 latas, grandes, de atum
·         2 a 3 batatas
·         Maionese (utilizei de compra mas a amiga da Moira,  tem óleo e ovos)
·         Azeitonas (é opcional mas, tenho esperança que a  Maria tenha levado uma latinha na sua bagagem)

Preparação
1.   Cozer as batatas, com casca;
2.   Abrir as latas de atum e deixar escorrer muito bem o óleo;
3.   Com um garfo, esmagar as batatas e também o atum;
4.   Amassar/misturar o atum com as batatas e juntar a maionese e as azeitonas, caso tenha;
5.   Colocar numa forma (ou outro recipiente, por exemplo o tacho) previamente untada com óleo;
6.   Desenformar e pode acompanhar com salada, caso tenha, com tostinhas ou com pãozinho

Tarte de courgettes com atum

Escolhi este texto, para acompanhar a receita de hoje, porque tive o privilégio de ser presenteada com courgettes que foram colhidas na aldeia onde este livro foi escrito e onde  alguns  dos seus personagens ainda vivem e são estimados.


“O pai via-o amuado pelos cantos e perguntava às mulheres da casa:

- Que diabo tem o rapaz?
E, como ninguém lhe explicasse aquela tristeza, trouxe-o uma tarde para junto do Tunante, o cão guardador do curral das vacas.
Ali se puseram em conversa.
Foi a primeira conversa a sério que o Silvestre Cuco teve com o filho. Este nunca mais esqueceu tal dia, em que fez uma das descobertas mais surpreendentes da sua vida.
Falaram de homem para homem. Sim, senhor, de homem para homem, e o Constantino sabe bem o que lhe custou essa conquista. Quando se abriu com o pai para lhe confessar que a mãe não gostava dele por causa do nariz, apareceu-lhe de repente nos olhos uma grande vontade de chorar. Embargou-se-lhe a voz, as palavras começaram a sair todas cortadas, e vai então o pai disse-lhe assim:

- Um homem nunca chora, mesmo que veja as tripas doutro na mão...
Apressado, o Constantino deitou a ponta dos dedos a umas lágrimas que queriam rebentar, e ali mesmo as esmagou, segurando as outras todas que já vinham numa carreirinha para fazerem o pranto. Baixou a cabeça por instantes, erguendo-a depois com um sorriso. Encararam-se, o pai animou-o com um olhar que ele conhecia, e o Constantino percebeu que ganhara nesse dia o seu melhor camarada"

AlvesRedol, Constantino, Guardador de vacas e de sonhos, 1962

Tarte de courgettes com atum


Ingredientes :
·         Uma se de massa quebrada;
·         2 a 3 courgettes;
·         água
·         sal
·         1 lata grande de atum em conserva (± 300 g)
·         3 ovos grandes;
·         2 dl de natas
·         pimenta
·         tomilho seco  
Preparação
Ligue o forno (se lhe for possível, regule-o para os 200 °C).

Forre uma forma de tarte com a massa, pique o fundo com um garfo.
Entretanto, lave e corte as courgettes em tiras finas, na receita original pedia para ser  a todo o comprimento mas eu optei por rodelas.

Branqueie as fatias de courgettes durante 3 a 4 minutos em água a ferver, temperada com sal. Escorra bem e disponha-as sobre base de massa quebrad, alternando com o atum escorrido e feito em lascas.

Bata os ovos com as natas, tempere com sal, pimenta e uma pitada de tomilho seco.
Deite a mistura sobre a tarte e leve ao forno durante mais 25 a 30 minutos. 

Bife de atum

Quem me conhece sabe que gosto de passear os olhos pelas prateleiras onde se encontram as especiarias, não porque entenda muito, mas sobretudo porque gosto de fazer misturas, totalmente improvisadas. Numa dessa viagens, pelas prateleiras, comprei um frasquinho  que tem no seu interior: sal marinho, cebola, pimenta preta, alho, coentros, menta e limão. De cabeça para baixo e iniciando movimentos circulares, este conteúdo, que passa por um moinho, lançou uma chuva de sabores em cima, do bife de atum….
Claro que a ideia inicial me chegou através dos Cinco Quartos de Laranja mas acredito que este frasquinho acrescentou um toque muito diferente, muito agradável J

Ingredientes:
  • 1 bife de atum;
  • 3 dentes de alho;
  • 1 folha de louro;
  • qb sal
  • especiarias a gosto (já sabem a que usei J)


Preparação

Picar os alhos e colocar em cima do bife, acrescentar o sal, a folha de louro e as especiarias – este último é opcional.
Deixar umas horas em repouso, dentro do frigorífico.
Colocar em cima de um grelhador e passar de um lado e de outro.
Eu acompanhei com uma salada de alface J
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