A
Suzana agarrou no projecto da
Ana e sugeriu que convidássemos cozinheiros para jantar. E agora?!
… …
Levantei o auscultador e comecei a clicar o número,
hesitantemente.
Desliguei. Pensei que iria achar o convite uma desmesurada
ousadia.
Sentei-me ao computador, tentando continuar a
trabalhar. Mas, os dedos ficaram
estáticos sobre o teclado, enquanto o meu cérebro preparava um diálogo
convincente.
Num rompante, levantei-me e fui até ao telefone, utilizei o repetir, achei que assim não iria
hesitar. Ao segundo toque, já o meu
dedo estava na tecla desligar.
- Estou sim? – foi a frase que me impediu de o fazer.
Com voz sumida, respondi:
- Boa tarde, peço
desculpa por incomodar e pela ousadia mas… gostaria de convidá-la para jantar.
- Muito boa tarde, não incomoda nada, fico até muito lisonjeada com o convite e é
com prazer que aceito.
- Aceita?! – o meu nervosismo aumentou e à minha cabeça
vieram as milhentas receitas que tinha pensado.
- Sim, sim, aceito e com prazer, repito. Mas, por favor, queria
apenas referir que as pessoas da minha idade já não comem muito à noite, por
isso. apenas sopa seria agradável e é o
suficiente.
… …
E agora, interroguei-me, o que é que vou fazer? Não posso arriscar e fazer uma das sopas dos seus
livros.
Não, não posso arriscar.
Lembrei-me, no entanto,
de uma sopa que todos os meus amigos gostam e que tem o requinte e a
simplicidade que o momento exige. Descobri
esta receita, já nem sei muito bem há quanto tempo, num
blog de
eleição.
Esta escolha poderia ter sabor de gafe,
mas a justificação da escolha apagaria essa possibilidade.
… …
A conversa com a Senhora D.
Maria de Lourdes surgiu muito agradável e, com a educação que
a caracteriza, elogiou a minha sopa, fê-lo de tal forma que senti que o seu
comentário foi muito mais do que cortês, foi sincero.
Conversámos sobre a “febre” dos blogs, das conversas à volta
dos seus colegas estrangeiros e como ela está deliciada com todo o empenho que
vê em cada cozinha .
Confidenciou-me que este mês tem estado
ainda mais atenta a tão ilustres colegas e que tem sido muito agradável rever muitos deles.
Despediu-se
deixando-me tranquila e garantindo que vai contar esta sua experiência a todos
os colegas portugueses. Quem sabe se não o fará num jantar?
Com tão animada
conversa, não demos pelo tempo passar e eu até me esqueci de tirar a foto,
valeu-me o facto de, já muito antes de ter este cantinho, ter tirado esta foto
que ilustra a deliciosa receita da
Margarida.
Creme de abóbora com hortelã e requeijão
Ingredientes:
- 2 courgettes
- 400gr de abóbora
- 1 alho francês
- 60gr de
azeite
- 1,5l de água
- sal
- 250gr de requeijão
- hortelã fresca
- pimenta preta de
moinho
Preparação
- Lave as courgettes e corte-as em cubos pequenos.
- Deite numa panela e junte a abóbora cortada em pedaços.
- Corte o alho francês em rodelas, lave em água corrente e junte aos restantes
legumes.
- Adicione o azeite, tape a panela e leve a estufar sobre lume muito
brando durante cerca de 10 minutos, mexendo de vez em quando.
- Tempere com sal e
regue com a água a ferver.
- Deixe cozinhar até os legumes estarem macios.
- Junte
o requeijão em bocados e triture tudo com a varinha mágica até ficar em creme.
- Perfume a sopa com folhinhas de hortelã fresca cortadas em tiras e sirva
polvilhada com pimenta acabada de moer.